
no mercado global de smartphones, a samsung é, indiscutivelmente, uma das gigantes. mas você já se perguntou em que canto do mundo seu sofisticado aparelho da linha galaxy é realmente montado e fabricado? segundo o cnmo, um relatório publicado no sammobile lança luz sobre o estado atual da rede de manufatura global da samsung, com mudanças em sua estrutura produtiva refletindo profundas transformações na cadeia de suprimentos tecnológica mundial.
o relatório destaca que o vietnã e a Índia são atualmente os principais polos de produção de smartphones da samsung. entre eles, o vietnã atua como um centro global de fornecimento. a samsung estabeleceu uma base fabril de grande escala na província de binh, na tailândia, composta por duas fábricas que produzem até 120 milhões de smartphones, tablets e dispositivos vestíveis anualmente, destinados principalmente aos mercados da américa do norte e da europa.
a Índia, por outro lado, abriga a maior fábrica de smartphones da samsung — e, de fato, do mundo. localizada em noida, essa unidade também possui capacidade anual de 120 milhões de unidades. diferentemente do vietnã, a produção indiana é voltada principalmente para atender à demanda do vasto mercado interno, evitando assim pesadas tarifas de importação e mantendo a competitividade de preços. no entanto, o relatório também aponta que os aparelhos fabricados na Índia podem ser exportados para a europa, África e Ásia ocidental, podendo inclusive ser enviados aos estados unidos, dependendo dos ajustes nas políticas tarifárias.
uma mudança notável ocorreu na produção da samsung na china. o relatório informa que a empresa encerrou sua última fábrica de smartphones no país em 2019, pondo fim efetivo à fabricação de aparelhos no território chinês. esse movimento foi motivado principalmente pela queda da participação de mercado da samsung na china, tornando a produção local economicamente inviável.
para competir melhor no mercado — especialmente frente aos fabricantes chineses —, a samsung adotou uma estratégia de produção mais flexível. desde o lançamento, em 2019, do seu primeiro smartphone odm (original design manufacturer), o a6s, a empresa planeja ampliar significativamente a produção de smartphones odm, visando embarques anuais de 60 milhões de unidades. esse modelo ajuda a samsung a aumentar as margens de lucro em modelos de entrada de mercado.
além desses dois polos centrais, a samsung opera fábricas em vários outros países, atendendo principalmente aos mercados locais e vizinhos:
coreia do sul: a produção nas instalações nacionais responde por menos de 10% dos envios globais, abastecendo principalmente o mercado coreano.
brasil: a fábrica instalada em 1999 emprega mais de 6 mil pessoas e fornece todo o mercado latino-americano.
indonésia: a planta inaugurada em 2015 tem capacidade anual de cerca de 800 mil unidades, suficiente para atender à demanda local.
em resposta a possíveis preocupações dos consumidores quanto à autenticidade de um dispositivo, o relatório enfatiza que, independentemente de o telefone ser fabricado no vietnã, na Índia, no brasil ou na indonésia, não há diferença de qualidade nem de “autenticidade”. todas as fábricas pertencentes à samsung e seus parceiros odm utilizam os mesmos componentes e seguem padrões uniformes de fabricação e qualidade. a principal função dessas instalações é a “montagem”; as verdadeiras diferenças residem nas estratégias de marketing e nos arranjos da cadeia de suprimentos, e não na qualidade do produto em si.
a rede global de manufatura da samsung é um cenário dinâmico e em constante evolução, que se ajusta continuamente em resposta a custos, condições de mercado, tarifas e fatores geopolíticos. desde a saída da china até a intensificação das operações no vietnã e na Índia, passando pela adoção do modelo odm, o mapa de produção da samsung ilustra claramente como esse gigante da tecnologia se adapta com flexibilidade à concorrência global.